segunda-feira, 18 de junho de 2012

Un été brûlant


Em francês, "été" é tanto "verão" quanto o particípio passado do verbo "ser" ("être"): "fui".
"Um verão escaldante, ardente" / "Um fui ardente". Um eu que no passado era borbulhante e prestes a explodir como um verão que cega. Philippe Garrel torna esse passado esquecido presente com seu filme.

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O azul utópico no filme remeteu-me a este soneto de Baudelaire:


A vida anterior

Muito tempo habitei sob átrios colossais
Que o sol marinho em labaredas envolvia,
E cuja colunata majestosa e esguia
À noite semelhava grutas abissais.

O mar, que do alto céu a imagem devolvie,
Fundia em místicos e hieráticos rituais
As vibrações de seus acordes orquestrais
À cor do poente que nos olhos meus ardia.

Ali foi que vivi entre volúpias calmas,
Em pleno azul, ao pé das vagas, dos fulgores,
E dos escravos nus impregnados de odores,

Que a fronte me abanavam com as suas palmas,
E cujo único intento era o de aprofundar
O oculto mas que me fazia definhar.

(Tradução Ivan Junqueira)


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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

domingo, 3 de janeiro de 2010

pedindo saquê na vizinha


















Era uma vez em Tóquio (Yasujiro Ozu, 1953)
















Café Lumière (Hou Hsiao-Hsien, 2003)

domingo, 13 de dezembro de 2009

falar sobre os filmes

"A vida das imagens se faz com outras imagens. Uma imagem está morta se ela está dada e se interrompe. É por isso que é tão importante falar sobre os filmes. Há um universo das imagens do cinema que talvez só seja constituído pela palavra. Para que as imagens se projetem, constituam uma espécie de memória do filme, é preciso que escrevamos, evocar outras imagens que são 'falsas', deslocadas em relação ao filme".

Jacques Rancière